"A dança é uma das raras atividades humanas em que o homem se encontra totalmente engajado: corpo, espírito e coração."
Maurice Béjart

Porque Morungaba

Uma reunião de experiências de vida, isso é o Morungaba. Quando nasceu, precisava de um nome que representasse o trabalho peculiar realizado pela idealizadora do projeto, Renata Macedo Soares.

O Morungaba teve um grande período de gestação interna, não nasceu simplesmente. Foram anos de brincadeiras de criança, em uma praça chamada Morungaba, a única palavra em tupi-guarani que essa criança, quando cresceu, realmente conhecia. Depois disso, nas saídas das aulas essa jovem brincava, espontânea, abria a bolsa e vinham as crianças da favela do Jaguaré brincar com ela. Algumas fotografias foram tiradas e a importância dessa interação se revelou para ela.

Outras experiências com o outro que é diferente ao longo dessa gestação deram forma ao ideal de promover o exercício de cidadania e valorização do ser humano.

Renata Macedo Soares é fonoaudióloga e professora de dança desde 1978, e mestre em Distúrbios da Comunicação pela PUC-SP. Defendeu a tese Dança / Arte do Movimento para Deficientes Auditivos e, após uma estadia na Inglaterra fazendo um curso de extensão universitária no Laban Centre for Movement and Dance, em Londres, estudando no The British Council, em 1989 o Morungaba estava pronto para nascer.

Unindo então os diversos significados da palavra Morungaba, no Tupi-Guarani e na história da Renata, algo fundamentalmente belo se revelou (Morungaba - poran'gaba = porang: bonito, belo + aba: beleza), um lugar pra onde as pessoas podem se dirigir (Morungaba - de morõ'kaba: o marco, o limite, o sinal) e trabalhar como em uma colméia (Morungaba - colméia de morungas, abelhas produtoras de dulcíssimo mel), construindo, produzindo e cada um com seu papel nessa tarefa, de assegurar aos indivíduos um espaço de cooperação e inclusão por meio da dança e das artes.

O Morungaba possui na sua raiz o respeito às diferenças, trabalhando num processo lúdico, criativo e não competitivo.

Os objetivos do Morungaba ganharam força um ano após seu nascimento, em 1990, quando entra em vigor o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que diz:

"É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do Poder Público assegurar, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária". (Artigo 4º do Estatuto da Criança e do Adolescente)

"Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão aos seus direitos fundamentais". (Artigo 5º do Estatuto da Criança e do Adolescente)

E, desde então, Morungaba deixou de ser só uma palavra, um nome, e passou a ser uma forma de vida, um ideal de transcender barreiras que causam impactos para revelar as pessoas.

"A primeira vez que eu fui pro Morungaba, eu era muito tensa, e com a ajuda do Morungaba, na dança e em outras coisas da minha vida mesmo - pessoal - eu fiquei mais solta... Morungaba, ah... Eu acho que vai ser difícil esquecer."
Helena Maranhão,ex aluna, com deficiência física, do Núcleo Morungaba.
Veja o depoimento da Helena Maranhão
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